De cavernas e cachoeiras a passeios de trem, observação de golfinhos, gastronomia caiçara, montanhismo e cidades históricas, território de quase 3 milhões de hectares apresenta alternativas para quem quer fugir dos roteiros tradicionais da estação
Quando se fala em turismo de inverno no Brasil, os destinos mais lembrados costumam ser os mesmos: cidades serranas, baixas temperaturas, lareiras e gastronomia típica. Mas uma região que abriga o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do planeta quer mostrar que a estação também pode ser vivida entre florestas, montanhas, cavernas, rios, baías, observação de fauna, gastronomia regional e experiências ligadas à natureza e à cultura local.
Distribuída entre os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, a Grande Reserva Mata Atlântica reúne quase 3 milhões de hectares do maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do planeta. Um levantamento realizado pela Sprint Dados para mapear os principais atrativos turísticos do território identificou 54 atrações relevantes distribuídas pela região.
Entre elas estão parques e reservas naturais, cavernas, montanhas, cachoeiras, baías, cidades históricas, experiências culturais, roteiros gastronômicos e iniciativas de turismo de base comunitária. O resultado evidencia a diversidade da oferta turística da Grande Reserva e seu potencial para se destacar entre os principais destinos de natureza do país.
Agora, a iniciativa lançou a campanha “Viva o Inverno na Grande Reserva”, convidando viajantes a descobrirem destinos que vão muito além dos roteiros tradicionais da estação.
“Muita gente ainda associa o inverno brasileiro apenas aos destinos de serra. O que estamos mostrando é que existem muito mais opções do que as pessoas imaginam, com experiências autênticas, contato com a natureza, gastronomia regional e uma enorme diversidade cultural. A Grande Reserva reúne tudo isso em um único território distribuído por três estados”, afirma Ricardo Borges, coordenador de comunicação e parcerias estratégicas da Grande Reserva Mata Atlântica.
Cavernas, florestas e cachoeiras
O Vale do Ribeira, em São Paulo, concentra algumas das experiências mais surpreendentes da Grande Reserva Mata Atlântica. No PETAR – Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, considerado um dos maiores complexos de cavernas do Brasil, rios subterrâneos, salões gigantescos e formações rochosas milenares transformam cada visita em uma verdadeira expedição pela história geológica do planeta.

A poucos quilômetros dali, a Caverna do Diabo impressiona pela grandiosidade de seus salões iluminados e pela beleza das formações calcárias. O roteiro pode ser combinado com visitas à Cachoeira do Meu Deus, uma queda d’água de mais de 50 metros cercada pela exuberância da Mata Atlântica.

Completa esse conjunto o Parque Estadual Intervales, referência mundial para observadores de aves e destino ideal para quem busca trilhas, cachoeiras, cavernas e a experiência cada vez mais rara de caminhar por extensas áreas naturais bem conservadas.
Experiências sobre a água
No litoral paulista, Cananéia e a Ilha do Cardoso, localizada no município, oferecem passeios embarcados para observação de golfinhos, contato com comunidades tradicionais e experiências ligadas ao maior complexo estuarino-lagunar do Sudeste brasileiro.
No Paraná, a Baía de Paranaguá revela um mosaico de ilhas, manguezais e restingas cercado pela Serra do Mar. Já em Santa Catarina, a Baia da Babitonga, maior baía navegável do estado, oferece passeios náuticos e a possibilidade de observar a única população residente de toninhas em um ambiente estuarino.

Turismo ferroviário e estradas cênicas
Poucos lugares no Brasil reúnem tantas possibilidades de contemplação de paisagens quanto a Grande Reserva. Entre elas está o Trem da Serra do Mar Paranaense, no Paraná, considerado um dos passeios ferroviários mais bonitos do país, conectando Curitiba a Morretes em um percurso que atravessa a Mata Atlântica.
Para uma opção nostálgica, numa verdadeira volta ao passado, há passeios de Maria Fumaça entre Antonina e Morretes – o Trem Caiçara, no Paraná, e entre Rio Negrinho e Corupá – o Trem da Serra do Mar , em Santa Catarina. Vale a pena conferir.

Entre os ícones da Grande Reserva está a Estrada da Graciosa, no mesmo estado, rota histórica inaugurada em 1873 que atravessa a Serra do Mar Paranaense em meio a florestas, cachoeiras e mirantes naturais.
Considerada uma das estradas mais bonitas do país, ela oferece uma viagem no tempo por antigos caminhos que conectavam o planalto ao litoral, combinando patrimônio histórico, paisagens exuberantes e alguns dos cenários mais impressionantes da Mata Atlântica. No inverno, a presença frequente de neblina entre as montanhas torna o percurso ainda mais fotogênico.

Montanhas e aventura
Para os amantes de atividades ao ar livre, a Grande Reserva Mata Atlântica abriga alguns dos cenários mais impressionantes do Sul do Brasil. O Pico Paraná, com 1.877 metros de altitude, é o ponto culminante da região Sul e um dos destinos mais desejados por praticantes de montanhismo. Já o Conjunto Marumbi, considerado um dos berços da escalada brasileira, reúne trilhas históricas, paredões rochosos e vistas panorâmicas da Serra do Mar.

Mais ao sul, os Campos do Quiriri revelam uma paisagem rara na Mata Atlântica: extensos campos de altitude cercados por montanhas, frequentemente cobertos por neblina durante o inverno. O território também reúne dezenas de cachoeiras, percursos de cicloturismo, trilhas de diferentes níveis de dificuldade e áreas ideais para observação da paisagem, fotografia de natureza e esportes ao ar livre.

Cultura, história e comunidades tradicionais
E experiência no território vai além das paisagens naturais. A Grande Reserva reúne cidades históricas como Antonina, Morretes, Paranaguá, Guaraqueçaba, Cananéia, Iguape, Itanhaém e São Francisco do Sul, além de comunidades caiçaras, quilombolas e indígenas que preservam modos de vida, saberes e tradições associados à Mata Atlântica.

“Muito mais do que visitar lugares bonitos, o turista encontra oportunidades de compreender a história, a cultura e a biodiversidade da Mata Atlântica. É uma viagem que gera conexão com o território e valoriza comunidades, empreendedores e iniciativas locais”, afirma Marcos Cruz, coordenador da Rede de Portais da Grande Reserva.
Turismo que valoriza a conservação
Criada em 2018, a Grande Reserva Mata Atlântica surgiu a partir de uma pergunta simples: como transformar a conservação do maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do planeta em oportunidades para as pessoas que vivem nesse território e um local de estímulo à produção de natureza?
Hoje, a iniciativa conecta centenas de experiências turísticas, empreendedores, municípios, comunidades tradicionais e áreas naturais em três estados brasileiros, mostrando que desenvolvimento econômico, valorização cultural e conservação podem caminhar na mesma direção. Atualmente, a Grande Reserva reúne mais de 100 membros e mais de 40 municípios aderentes à iniciativa.
Para mais ideias de destinos e atividades, acesse: https://grandereservamataatlantica.com.br/wp-content/uploads/2024/09/grande-reserva-mata-atlantica-documentos-portfolio-de-atracoes-turisticas-2024.pdf.

Sobre a Grande Reserva Mata Atlântica
A Grande Reserva Mata Atlântica é uma iniciativa que reúne diversos atores para desenvolver ações de turismo sustentável na maior área contínua de Mata Atlântica do mundo, com cerca de 3 milhões de hectares conservados entre São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Reconhecida nacional e internacionalmente, promove o ecoturismo responsável, integrando patrimônio natural, cultural e histórico, e reforça o papel da conservação como base para o desenvolvimento do território. Os participantes compartilham a convicção que a preservação e a conservação da natureza são fundamentais para o equilíbrio do planeta e para as gerações futuras, e que o turismo pode ser uma atividade econômica positiva desde que realizada de forma responsável e sustentável.
Escrito por Claudia Guadagnin, assessora de imprensa da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e da Grande Reserva Mata Atlântica.
claudia@spvs.org.br/41. 99803-4948.





