Delegação paranaense levará ao encontro global propostas e experiências que demonstram como conservar a natureza gera prosperidade, fortalece economias locais e enfrenta a crise climática
A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e a Grande Reserva Mata Atlântica estarão presentes na COP-30, que acontece entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém (PA), com uma delegação de seis representantes.
O grupo, composto por integrantes da diretoria, de áreas técnicas e de comunicação – incluindo o diretor executivo da SPVS, Clóvis Borges, e o coordenador de comunicação e parcerias estratégicas da Grande Reserva, Ricardo Borges – levará ao maior evento climático do planeta uma pauta clara: buscar resultados efetivos para a conservação da biodiversidade, com destaque para o papel estratégico da Mata Atlântica, bioma que abriga 70% da população brasileira e sofre com a constante e a intensa pressão de degradação.
“O tema das mudanças climáticas, finalmente, abre espaço para ser discutido de forma articulada com a questão da biodiversidade”, afirma Clóvis Borges, diretor executivo da SPVS. “Isso cria oportunidades concretas para fortalecer esforços de conservação e consolidar políticas e mecanismos financeiros que gerem escala às soluções baseadas na natureza”.

Foto: Amanda Samways
Propósito efetivo: parcerias e influência para uma nova economia de conservação
A presença da SPVS e da Grande Reserva Mata Atlântica na COP-30 tem um propósito bem prático e estratégico. Mais do que acompanhar as negociações globais, a delegação vai buscar parcerias institucionais, empresariais e de comunicação, ampliar o alcance das experiências de conservação desenvolvidas no Sul e Sudeste do Brasil e contribuir para o desenho de políticas públicas e modelos de negócios baseados na natureza.
“Eventos como a COP representam espaços únicos para aproximações estratégicas entre atores públicos e privados. É hora de escalar o que já se mostrou eficaz: práticas inovadoras que provem que conservar é também produzir valor econômico e social”, complementa Clóvis Borges.
Décadas de trabalhos pela conservação da Mata Atlântica
Com quatro décadas de atuação contínua, a SPVS se tornou uma das principais referências do Brasil em conservação da biodiversidade. Fundada em 1984, a instituição atua na proteção de áreas naturais, na educação para a conservação e no desenvolvimento de modelos inovadores de uso racional dos recursos naturais, buscando consolidar o conceito de “Produção de Natureza” como estratégia essencial para o futuro da sociedade e dos negócios. Qualificada como OSCIP desde 2001, mantém uma governança sólida e transparente, com gestão técnica reconhecida por sua consistência e capacidade de gerar resultados mensuráveis.
A SPVS apoiou a criação de mais de 100 mil hectares de Unidades de Conservação de proteção integral na Mata Atlântica e contribuiu técnica e financeiramente para a implantação de 65 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), que somam 24 mil hectares de áreas privadas protegidas. Também adquiriu, restaura permanentemente e mantém 19 mil hectares de Reservas Naturais próprias, gerando 80 empregos diretos e garantindo a proteção de espécies emblemáticas como, por exemplo, o Papagaio-de-cara-roxa, o Papagaio-de-peito-roxo e o Mico-leão-de-cara-preta.
A instituição teve papel decisivo na articulação da Grande Reserva Mata Atlântica, que conecta 2,7 milhões de hectares de florestas e ecossistemas entre os estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. A iniciativa é voluntária e colaborativa, reunindo governos locais, comunidades, empresas e instituições de pesquisa para promover o desenvolvimento regional baseado na conservação e no turismo de natureza. Ao abrigar montanhas, baías, manguezais, cavernas e uma das maiores concentrações de biodiversidade do planeta, a região simboliza a possibilidade concreta de uma economia restaurativa, capaz de gerar prosperidade com base na proteção ambiental.

Foto: Arquivo
Entre os resultados mais expressivos da SPVS também estão o benefício direto à população de Antonina (PR) — com provisão de abastecimento de água e geração de recursos de ICMS-E na ordem de US$ 1 milhão/ano —, a formação de mais de cinco mil jovens e adultos em programas de Educação para a Conservação, e a captação de mais de US$ 20 milhões em investimentos voltados à biodiversidade. A organização foi, ainda, coautora da Certificação LIFE, ferramenta internacional pioneira que mede o impacto corporativo sobre a biodiversidade e estimula o engajamento do setor privado, e colaborou na formulação de políticas públicas inovadoras, como a Lei das RPPNMs e os programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) na Região Metropolitana de Curitiba.
“Esses resultados consolidam a SPVS como uma instituição de impacto efetivo, que alia ciência, conservação e inovação para gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos, fortalecendo o protagonismo da Mata Atlântica no cenário nacional e internacional”, pontua Clóvis.
Atualmente, a Certificação LIFE está disponível no Brasil, Paraguai e União Europeia, com previsão de expansão para outros países, como o México. Empresas interessadas podem contar com consultores credenciados LIFE, responsáveis por apoiar o processo de preparação e adequação aos indicadores exigidos.
“Mais do que um selo ambiental, a Certificação LIFE representa uma métrica robusta, auditada de forma independente, que permite às corporações incorporar a conservação da natureza como parte estratégica de seus negócios, fortalecendo a transparência e o reconhecimento internacional das boas práticas empresariais”, completa o diretor.
Grande Reserva Mata Atlântica: uma estratégia integrada para a conservação e o desenvolvimento
Durante a COP-30, a iniciativa Grande Reserva Mata Atlântica pretende se posicionar como um exemplo concreto de como a conservação pode caminhar junto ao desenvolvimento ambientalmente responsável.
“Queremos mostrar que a conservação é uma aliada do desenvolvimento, não um obstáculo a ele”, explica Ricardo Borges. “A Mata Atlântica concentra enormes oportunidades para conectar conservação e prosperidade. Proteger e restaurar seus ecossistemas significa garantir água, clima equilibrado e qualidade de vida para a maioria dos brasileiros.”

Foto: Amanda Samways
A presença da Grande Reserva na COP-30 reforça o papel do território como vitrine de soluções que integram biodiversidade e economia restaurativa, alinhadas aos compromissos do Acordo de Paris e do Marco Global da Biodiversidade.
“Nosso objetivo é encontrar parceiros que compartilhem dessa visão de futuro — governos, instituições e empresas que entendam que investir em natureza é investir em segurança climática e justiça social”, acrescenta Ricardo.
Mata Atlântica: um bioma essencial no debate global
Realizada pela primeira vez na Amazônia, a COP-30 será um marco para o Brasil. Para a SPVS e a Grande Reserva, o desafio é recolocar a Mata Atlântica no centro do debate global sobre clima e biodiversidade, mostrando que o bioma mais povoado do país é também um dos mais estratégicos para o equilíbrio climático e para a economia de baixo carbono.
“Todas as ações positivas de mitigação devem ser apoiadas em todos os biomas, não apenas na Amazônia”, reforça Clóvis Borges. “Áreas naturais bem conservadas são essenciais para reduzir os impactos das mudanças climáticas e criar resiliência nos territórios. Promessas e planos que não são cumpridos foram a tônica das COPs passadas. Precisamos mudar este comportamento de retórica para resultados concretos”, conclui Clóvis Borges.
“O Brasil pode ser uma liderança global na produção de natureza”, finaliza Ricardo Borges, em sintonia com a mensagem que a delegação promete levar a Belém.
Escrito por Claudia Guadagnin, assessora de imprensa da SPVS e da Grande Reserva Mata Atlântica.
Contatos: claudia@spvs.org.br/41. 99803-4948





