A Grande Reserva Mata Atlântica é o maior e mais bem conservado remanescente desta mata no Brasil, com cerca de 28% da área total legalmente protegida e diversas Unidades de Conservação que correspondem a mais de 470.000 hectares. Há de se ressaltar que é reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Esta extensa rede de áreas protegidas é composta por Parques Nacionais e Estaduais somados a Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) e a áreas privadas legalmente protegidas. Juntas oferecem a melhor oportunidade para manter ecossistemas completos e funcionais, com todas as suas espécies nativas dentro dos limites originais da Mata Atlântica.

Infelizmente, vários Parques Nacionais e Estaduais dentro da Grande Reserva Mata Atlântica sofrem com a falta de funcionários, infraestrutura e implementação. Valorizar e visitar estas Unidades de Conservação é importante para promover uma gestão adequada e manutenção a longo prazo pelas autoridades competentes. Por outro lado, as reservas privadas no Brasil desempenham um papel significativo no aumento da quantidade e qualidade das áreas legalmente protegidas. A Grande Reserva Mata Atlântica destaca-se por ter muitas reservas privadas de alta qualidade.

Aqui está uma seleção de áreas protegidas públicas e privadas encontradas dentro da Grande Reserva Mata Atlântica:

Parques Nacionais

Superagui (34.000 ha, Paraná)
Este parque costeiro inclui áreas da rara floresta de restinga que cresce sobre dunas, combinadas com praias de areia, manguezais e floresta tropical de terras baixas. É a principal área de ocorrência do mico-leão-da-cara-preta, espécie ameaçada de extinção, e também protege o endêmico papagaio-de-cara-roxa. O parque oferece uma excelente oportunidade para que se descubra uma paisagem intocada de ilhas e manguezais dentro da baía de Paranaguá, unidos por quilômetros de praias selvagens. Superagui mantém viva a cultura caiçara, que mistura tradições indígenas, africanas e europeias adaptadas a esses ambientes costeiros.

Guaricana (49.300 ha, Paraná)
Este parque de montanha inclui amostras de florestas tanto de terras baixas quanto de montanhas, além de algumas das áreas mais bem protegidas de campos de altitude. Ao redor, propriedades particulares ainda mantêm remanescentes bem conservados da altamente ameaçada Floresta com Araucária. Os Parques Nacionais Guaricana e seu vizinho Saint Hilaire-Lange oferecem o melhor refúgio para grandes animais, como a onça-pintada, antas e queixadas. Embora careça de infraestrutura para uso público, oferta excelentes oportunidades para trekking e mountain bike. Guaricana ainda abriga uma comunidade tradicional singular composta por índios guaranis e kaingangs.

Saint Hilaire-Lange (49.300 ha, Paraná)
Este é o parque próximo ao PN Guaricana, compartilhando sua característica escarpada típica da Serra da Prata. Comparado com o vizinho, não tem as araucárias que vêm das áreas de planalto. No entanto, também inclui boas amostras de florestas virgens e campos de altitude. Com quase nenhuma infraestrutura para uso público, pode ser acessada através da cidade de Matinhos, conhecida por suas praias. O PN Saint Hilaire-Lange fornece água de excelente qualidade para muitas pessoas, desde a comunidade de Cabaraquara, no município de Guaratuba, até a de Paranaguá.

Reserva Biológica do Bom Jesus (34.180 ha, Paraná)
Este parque vasto e pouco povoado conserva as florestas de planície e média elevação na porção ao norte da Baía de Paranaguá. Também inclui áreas de mangue significativas. Atualmente, não tem uso público ou instalações de gerenciamento e parece sofrer uma relevante pressão extrativa das comunidades vizinhas. Uma pequena comunidade guarani vive dentro dessa reserva.

Parques Estaduais

Carlos Botelho (37.644 ha, São Paulo)
Cobre uma área íngreme e montanhosa com altitudes que variam de 50 a 975 metros. A vegetação é principalmente floresta tropical montana e submontana, com pequenas áreas de campos de altitude e floresta tropical densa de terras baixas nas áreas elevadas a 50 metros ou menos. Além de mamíferos de grande porte, como onças-pintadas, antas, pumas e queixadas, Carlos Botelho contém mais da metade da população mundial de muriquis do sul, espécie ameaçada de extinção e maior primata das Américas depois do próprio ser humano. Este parque também possui uma pequena população de mico-leão-preto, mais uma espécie ameaçada de extinção. Tem boas instalações para uso público, incluindo uma estrada bem projetada e conservada que atravessa o parque. A sede do parque em São Miguel Arcanjo possui um Centro de Educação Ambiental com um Museu de Zoologia e uma biblioteca com publicações sobre ecologia, animais e plantas.

Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira ou PETAR (35.700 ha, São Paulo)
O PETAR é famoso principalmente por suas cavernas, com mais de 350 já mapeadas. Também inclui muitas cachoeiras, trilhas e sítios arqueológicos e paleontológicos. Existem quatro centros de visitantes e uma extensa oferta de trilhas e atividades que são oferecidas por guias locais. A vida selvagem é abundante e fácil de observar, sendo mais famosa pelo avistamento de arapongas (Procnias nudicollis) e por aninhadas de gavião-de-penacho (Spizaetus ornatos). A área também abriga macacos muriqui, onças-pintadas, antas e outros grandes mamíferos. As comunidades quilombolas vivem nos arredores do parque, onde guardam muito do seu modo de vida tradicional.

Intervales (41,700 ha, São Paulo)
Como nos dois parques estaduais anteriores, seu terreno é montanhoso, com altitudes que variam de 900 a 1.200 metros. Intervales é especialmente famoso por ser um paraíso de observação de pássaros perto da cidade de São Paulo. Este parque possui boa infraestrutura para uso público e para gerenciamento, incluindo quatro alojamentos com capacidade para 100 hóspedes, restaurante, centro de monitoramento ambiental, campos de futebol, playground, moradia para pesquisadores e residências de funcionários.

Ilha do Cardoso (13.500 ha, São Paulo)
Este parque-ilha conserva excelentes amostras de floresta tropical, restinga e praias intocadas. Perto da bela cidade colonial de Cananéia, é um excelente local para avistamento do boto-cinza (Sotalia guinaensis). Existem seis comunidades caiçaras no parque, com cerca de 465 moradores. Eles são fortemente influenciados pela cultura indígena e desenvolveram um conhecimento preciso da natureza. Vivem principalmente da pesca, embora recebam uma renda significativa do turismo. O parque tem sua sede em Perequê, onde há um centro de visitantes, um quiosque à beira-mar na Praia de Itacuruçá e várias trilhas. A tradicional vila de pescadores do Marujá também possui trilhas que levam a cachoeiras e fontes. Barcos podem ser alugados para viagens a outras partes da ilha e há opções para caminhadas em trilhas, nas quais os visitantes devem estar acompanhados de guias.

Lagamar de Cananéia (40,760 ha, São Paulo)
Este parque escarpado e quase inacessível desce das montanhas da Serra do Mar até o Complexo Estuarino Lagamar, um dos maiores criadouros de espécies marinhas do Atlântico Sul. Protege as florestas tropicais de altitude, submontana e terras baixas. Adjacente ao Parque Nacional Superagüi, serve como principal habitat para o endêmico e criticamente ameaçado mico-leão-da-cara-preta e também mantém grupos de nidificação do papagaio-de-cara-roxa. Não tem instalações para uso público, embora possa ser visitada pela comunidade de Ariri, onde guias locais experientes oferecem visitas para rastrear os lindos micos.

Das Lauráceas (30.001 ha, Paraná)
Próximo à fronteira com o estado de São Paulo, esse parque montanhoso apresenta habitats semelhantes a Carlos Botelho, PETAR e Intervales. No entanto, Lauráceas tem a presença única de manchas de araucárias e uma alta diversidade de árvores pertencentes à família Lauraceae. Este parque, selvagem e bonito, está passando por estruturação para receber visitantes. Hoje em dia, apenas pesquisadores o conhecem. A área tem algumas cavernas mapeadas e uma trilha curta que compensa seu comprimento em beleza e leva à floresta a partir da sede. Seus guardas florestais vêm de comunidades quilombolas vizinhas ao parque, armazenando uma riqueza de conhecimentos tradicionais sobre como viver na floresta tropical.

Pico Paraná (4.334 ha, Paraná)
O Pico Paraná é o ponto mais alto do sul do Brasil, atingindo 1.877 metros acima do nível do mar. É adjacente ao Parque Estadual da Graciosa, ao sul, e ao Parque Estadual Roberto Ribas Lange, ao norte. A área conserva boas amostras de florestas montana e submontana e alguns trechos de campos de altitude. Esta é uma das áreas mais visitadas para o montanhismo na região. Leva de quatro a dez horas para se caminhar da rústica entrada do parque até o cume das diferentes montanhas presentes neste local. Os visitantes devem estar em boas condições físicas.

Pico do Marumbi (8.745 ha, Paraná)
O Conjunto Marumbi está localizado dentro do parque estadual, um complexo de oito picos com variados graus de dificuldade. Como no Parque Estadual do Pico do Paraná, escalar esses picos pode ser um desafio e aconselha-se contratar um guia experiente. O parque tem uma área de acampamento livre para o público ao lado do posto da Polícia Ambiental, com banheiros e chuveiros. Há um museu com fotos, artefatos e mapas sobre a conquista do pico. Oferece uma vista espetacular para a vasta Baía de Paranaguá e para o núcleo da Grande Reserva Mata Atlântica.

Parque Estadual e Estação Ecológica da Ilha do Mel (2.540 ha, Paraná)
A Estação Ecológica da Ilha do Mel abrange a parte norte da Ilha do Mel, pertencente ao município de Paranaguá. A estação ecológica é a mais estritamente protegida das duas unidades de conservação na ilha, sendo a outra o Parque Estadual da Ilha do Mel, que abrange 393 ha e está situado na parte sul. Ambas as áreas protegidas incluem amostras de floresta de planície, restingas e praias paradisíacas. A Ilha do Mel ainda abriga sítios arqueológicos como os sambaquis, depósitos de conchas do mar usadas por grupos pré-históricos. Há pier de desembarque em Encantadas e em Nova Brasília, que inclui o farol e o forte. Os visitantes podem trazer bicicletas, mas nenhum veículo motorizado é permitido.

Acaraí (6.667 ha, Santa Catarina)
Este parque fica na planície costeira da ilha de São Francisco e inclui o arquipélago de Tamboretes. Protege um dos remanescentes contínuos mais importantes dos ecossistemas costeiros do estado, a restinga da Praia Grande. Além de habitats costeiros como a já citada restinga e os manguezais, o parque é predominantemente coberto por uma densa floresta de planície e duas porções isoladas de floresta submontana. Acaraí está muito próximo à bela cidade histórica de São Francisco do Sul e a suas praias turísticas vizinhas. Como resultado disso, na alta temporada de verão, o parque é intensamente utilizado por turistas que andam de bicicleta e pilotam jipes pelas dunas.

Reservas Particulares

Legado das Águas (31.000 ha, São Paulo)
Esta vasta reserva privada foi criada pela empresa Votorantim para garantir o fornecimento de água para sete hidrelétricas. O Legado das Águas fornece uma importante conectividade ecológica na parte norte da Grande Reserva Mata Atlântica, ligando os parques estaduais de Carlos Botelho e Jurupará e compartilhando habitats similares. Como resultado disso, a área hospeda espécies ameaçadas, como onças, antas e o muriqui do sul. A área é muito ativa no desenvolvimento de atividades de ecoturismo, pesquisa e educação ambiental.

Salto Morato (2.340 ha, Paraná)
Esta reserva privada foi criada pela Fundação Grupo Boticário para proteger as florestas submontanas e de planície. Também protege pontos de referência locais, como as serras Garacuí e Morato e a cachoeira Salto Morato, com uma altura de cerca de 120 metros. A área é aberta ao público e suas excelentes instalações incluem trilhas interpretativas, um centro de visitantes, quiosques, camping, alojamento para pesquisadores, um centro de pesquisa e um laboratório. Através de intensa colaboração com pesquisadores, duas novas espécies de peixes e uma nova espécie de anfíbio de três dedos foram identificadas na área. Fica muito perto da cidade histórica de Guaraqueçaba, fundada em 1545.

Reservas Guaricica, Das Águas e Papagaio-de-cara-roxa (19.021 ha, Paraná)
Estas três reservas privadas foram estabelecidas pela SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) como parte de um programa de restauração, recuperando antigas fazendas de criação de búfalo, e para controle das mudanças climáticas. Elas fornecem importante conectividade ecológica e proteção para a Reserva Biológica Bom Jesus, conservando amostras significativas de manguezais e florestas de planície e montanhosas. Suas instalações promovem a capacitação de jovens locais sobre questões ambientais e empreendedorismo, realizam pesquisas ecológicas e promovem negócios locais sustentáveis como a produção de mel. As reservas da Guaricica e Das Águas estão muito próximas das cidades históricas de Morretes e Antonina, oferecendo excelentes oportunidades para o ecoturismo.

Reserva Trápaga (70 ha, São Paulo)
Situada no município de São Miguel Arcanjo-SP, esta Reserva faz parte da Fazenda Elgueiro e é gerida pelo Instituto Manacá, ONG destinada à proteção da Mata Atlântica. Por estar próxima a importantes áreas protegidas, como o Parque Estadual Carlos Botelho, faz parte do roteiro ecoturístico Circuito Vale das Arapongas. Esta área abriga diversas espécies ameaçadas, incluindo o Mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus). Além disso, é aberta para observação de aves, contando com mais de 219 espécies registradas. O visitante também pode se interessar pelos diversos cursos oferecidos na Reserva.

Reserva Ecológica Sebuí (400 ha, Paraná)
Criada no ano de 1999, esta Reserva oferece diversas atividades ao visitante. O acesso é feito apenas de barco pela baía, seja a partir do município de Guaraqueçaba-PR ou por Paranaguá-PR. O isolamento é um dos principais atrativos, além da grande diversidade de espécies da fauna e da flora. O visitante pode navegar em diferentes rios, praticar esportes, apreciar as belas cachoeiras e saltos, fazer passeios em canoas e caiaques, e aventurar-se numa tirolesa de 60 metros de comprimento e desnível de 20 metros. A hospedagem rústica também é um dos charmes da Reserva.

Reserva Volta Velha (876 ha, Santa Catarina)
Criada em 1992, pela Família Machado, é a mais antiga Unidade de Conservação de Itapoá e protege um dos últimos remanescentes de Floresta Ombrófila Densa de Planície Quaternária do Litoral Norte de Santa Catarina. A RPPN Fazenda Palmital e a Fazenda Santa Clara, pertencentes ao mesmo proprietário, compõem a Reserva Volta Velha, onde são desenvolvidas atividades voltadas ao ecoturismo, educação ambiental, pesquisas e estudos sobre a fauna e flora, além da preservação da biodiversidade. A Reserva Volta Velha é referência internacional para Observação de Aves e recebe anualmente observadores de distintas nacionalidades, atraídos pela exuberante avifauna existente na Região, com cerca de 300 espécies registradas. A gestão da RPPN Fazenda Palmital é compartilhada com a ADEA – Associação de Defesa e Educação Ambiental.

Fotografias por Zig Koch, Luiz Faraco, Rubens Matsushita, Dep. de Geografia/UFPR, PE Carlos Botelho, Sergio Ravacci, João P. Burini, Guilherme de Camargo Vasconcellos, Projeto Toninhas, Luciano Candisani, Ricardo Borges, Reginaldo Ferreira, Hiago Ermenegildo, RPPN Sebuí & Rubens Vandresen