Com uma área do tamanho de Israel, a Grande Reserva Mata Atlântica abriga uma incrível diversidade de paisagens e natureza. Existem mais de 15.000 espécies de plantas e mais de 2.000 de animais vertebrados. A Grande Reserva acompanha um longo trecho da Serra do Mar, não é de surpreender que essa topografia acidentada tenha sido um dos fatores que permitiu que a vegetação permanecesse bem preservada e mantivesse muitas das espécies de animais selvagens que se perderam em outras regiões deste bioma.

No seu lado ocidental, há alguns dos últimos remanescentes da pré-histórica Floresta com Araucária, combinados com altos picos que abrigam peculiares campos de altitude. Debruçando-se sobre os picos, existem as matinhas nebulares, habitat das rãs coloridas do gênero Brachycephalus, que estão entre as menores rãs do mundo, com cada espécie sendo endêmica de uma ou algumas poucas montanhas. Nas menores altitudes, há densas florestas tropicais com árvores de maior porte e uma diversidade ainda mais significativa de espécies. A chuva farta e milhares de rios formados no berço desta grande floresta esculpem as montanhas, ostentando belas cachoeiras.

Pico Paraná

Sapinho-pingo-de-ouro

Rio de floresta tropical

Neste vasto tapete verde, ainda podemos ver algumas das maiores e mais emblemáticas espécies de mamíferos da Mata Atlântica, como onças-pintadas (Panthera onca); onças-pardas (Puma concolor); cachorros-do-mato (Speothos venaticus); antas (Tapirus terrestris) e queixadas (Tayassu pecari). Esta região se destaca por conservar a maior população muriquis-do-sul (Brachyteles arachnoides) e micos-leões ameaçados: uma pequena população do mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) e a toda a população do mico-leão-da-cara-preta (Leontopithecus caissara). A diversidade de pássaros também é notável, servindo como um reduto chave para o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), uma espécie endêmica local; o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) ou o raro gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus). Infelizmente, a presença da águia harpia (Harpia harpyja) não tem sido relatada há muitos anos.

A região possui várias grandes baías nas quais o encontro de águas marítimas com a água doce dos muitos rios promove uma paisagem de abundância e diversidade, com manguezais servindo como berçários para uma infinidade de espécies marinhas. Em um passeio de barco por essas águas calmas, pode-se apreciar a imponente silhueta da Serra do Mar, com a visão do colorido guará (Eudocimus ruber), o raro gavião-caranguejeiro (Buteogallus aequinoctialis), os graciosos atobás (Sula sp.) e a magnífica fragata (Fregata magnificens). Dentro das baías e na costa, é fácil ver o boto-cinza (Sotalia guianensis). A Babitonga, em Santa Catarina, é famosa por ser a única baía do mundo que abriga uma população residente da rara franciscana ou toninha (Pontoporia blainvillei). A costa local também é habitada por grandes arraias (Manta birostris) e meros (Epinephelus itajara), que podem exceder 400 kg e encontram abrigo nos recifes protegidos pelas ilhas oceânicas.

Papagaios-de-cara-roxa

Boto-cinza

Baía dos Pinheiros

Fotografias por Zig Koch