As áreas produtivas desta região abrigaram uma rica população pré-colombiana, que deixou uma diversidade de sítios arqueológicos. Alguns morros de até 30 metros de altura são, na verdade, sambaquis, depósitos de conchas e de resíduos das populações nômades que ali viveram há milhares de anos.

Os caiçaras, habitantes tradicionais desse litoral, têm origem na própria miscigenação de indígenas, africanos e europeus. A fabricação de canoas, a pesca artesanal, o extrativismo, o cultivo da terra e o artesanato fazem parte dessa rica cultura. O folclore regional é representado pelo Fandango Caiçara, expressão musical-coreográfica-poética e festiva, foi registrado como “Bem Cultural – Patrimônio Imaterial Brasileiro”.

Outro grupo tradicional presente nesta região, mas mais comum nas áreas montanhosas, é formado pelos habitantes dos quilombos, os quilombolas. Descendentes de escravos africanos que escaparam mantêm muitas características culturais relacionadas às suas raízes africanas, ao mesmo tempo em que desenvolveram um sistema de produção adaptado aos ambientes da floresta tropical.

Canoa artesanal

Rabeca artesanal

Fandango

A área também abriga dois grupos nativos, como os guaranis e os kaingangs. Os guaranis costumavam prosperar em uma vasta área compartilhada incluindo o sul do Brasil, Paraguai, leste da Bolívia e norte da Argentina. Hoje existem poucos grupos guaranis que mantêm suas tradições nômades, viajando por comunidades ao longo da Mata Atlântica. A Grande Reserva Mata Atlântica abriga vários desses grupos, tanto no Paraná quanto em Santa Catarina. Inclui a única reserva indígena legalmente estabelecida no território, a Ilha da Cotinga, onde podem construir uma comunidade próspera em seu próprio território. Os kaingang tradicionalmente vivem no planalto e estabeleceram uma pequena comunidade dentro do Parque Nacional Guaricana.

A Grande Reserva da Mata Atlântica inclui algumas das cidades mais antigas do Brasil, Cananéia-SP, Guaraqueçaba-PR e São Francisco do Sul-SC. Também existem quatro cidades históricas oficialmente protegidas pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN: Iguape-SP, Antonina-PR, Paranaguá-PR e São Francisco do Sul-SC, enquanto Cananéia-SP é oficialmente preservada pelo estado de São Paulo.

A herança portuguesa está presente na arquitetura colonial e na gastronomia típica, rica em frutos do mar. Um dos mais famosos pratos, principalmente no litoral norte paranaense, é o barreado – carne desfiada, cozida em panela de barro, acompanhada de farinha de mandioca, arroz e banana.

Guaraqueçaba

Arquitetura histórica

Paranaguá

Fotografias por Zig Koch